sexta-feira, 12 de março de 2010

Sobre Jonathan Edwards: Opinião de um especialista

A três semanas atrás questionei o Rev. Antônio Carlos  Costa (1) a respeito da importância dos estudos no pensamento e na obra do Rev.Jonathan Edwards. (2)Ele carinhosamente respondeu-me no seu Formspring. Reproduzo abaixo:

Pastor Antônio, eu tenho procurado estudar Jonathan Edwards desde a minha adolescência. Queria lhe questionar qual a importância contemporânea dos pensamentos e escritos de J.E. na sua opinião? 

Jonathan Edwards é o homem que está abaixo do apóstolo Paulo em termos de intelecto e compreensão da doutrina. Um santo. Um gênio. Nunca vi nada igual em teologia. Ele me põe de joelhos.

Sua fidelidade à Bíblia, associada à argumentação lógica, geram um senso de inevitabilidade quanto a fé cristã que não encontro em nenhum outro autor. Ele nos faz ver o cristianismo como a única resposta racional do homem à vida.

Teve 11 filhos. Todos crentes. Sua relação com sua esposa era chamada por ele de "união incomum", devido ao amor mútuo que regia o casamento. Não sei quanto a você, mas eu não consigo separar autor cristão do seu caráter. Quero saber como esse sujeito viveu. Ele tem que ter adornado a doutrina com a vida.

Leia-o. Os melhores pregadores e escritores que conheço (século XX e XXI), atestam que receberam forte influência dele: John Piper, R. C. Sproul, Tim Keller, Martin Lloyd-Jones, entre outros. Creio que só crente gosta de Jonathan Edwards.

Não conheço autor que mais possa nos ajudar no século XXI do que ele. Qual a crise deste século? O colapso da razão. Ele mostra como que um ser humano pode se aproximar de Deus sem ter que decepar sua cabeça. Contudo, nunca o vi negociar a doutrina para tentar encaixá-la numa estrutura filosófica racionalista.

Ao mesmo tempo, ele revela grande espaço para as afeições. Experiência com Deus é um contato com a beleza da Sua santidade, que faz o coração fixar os afetos no Criador.

Isso, obviamente, não deixa ninguém na ociosidade. Quem foi convencido intelectualmente pela verdade, sentiu sua doçura na alma, vive o cristianismo na sua plenitude, pois a principal parte da fé cristã é a prática do cristianismo.

Deixo para você, o relato de uma experiência que ele teve em 1737, quando tinha 34 anos de idade:

“Às vezes a simples menção de uma palavra faz o meu coração arder dentro de mim. Ou basta que eu veja o nome de Cristo, ou o nome de algum atributo de Deus, e Deus se revela a mim de forma gloriosa. Com respeito a Trindade, evoca-me pensamentos exaltados de Deus, de que Ele subsiste em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo. As alegrias mais profundas e os maiores deleites que experimentei não foram os que nasceram de uma esperança do meu próprio bem estar, a sim os de uma visão direta das glórias do evangelho. Quando gozo desta doçura, ela parece elevar-me acima das preocupações pela minha própria situação. Em tais ocasiões, tirar os olhos da gloriosa presença que estou contemplando, e voltar os olhos para mim mesmo e para meus interesses, parece-me uma perda que não posso suportar.

Certa ocasião, quando saí para uma caminhada na floresta, por razões de saúde, em 1737, tendo desmontado do meu cavalo, num lugar isolado, como tem sido meu costume, de andar para meditar e orar, tive uma visão para mim extraordinária, uma visão da glória do Filho de Deus como mediador entre Deus e os homem, da Sua grande, maravilhosa, pura, doce graça e amor, como também da Sua condescendência mansa e gentil. Esta graça, que me pareceu tão calma e doce, também me pareceu imensa, acima dos céus. A pessoa de Cristo me parecia inefavelmente excelente, com uma excelência grande o suficiente para absorver todo pensamento e idéia, e isso continuou, pelo que posso julgar, por cerca de uma hora, e me manteve a maior parte deste tempo em lágrimas copiosas. Senti uma ardência de alma, um anseio por ser, e não de que outra forma posso expressá-lo, esvaziado e aniquilado, de me deitar no pó e ser cheio de Cristo somente, e de amá-lO com um amor puro e santo. Confiar nEle, olhar para Ele, servi-lO, segui-lO, e ser perfeitamente santificado e feito puro com uma pureza divina e celestial. Tive, em muitas outras ocasiões, visões da mesma natureza, e todas tiveram o mesmo efeito sobre mim.”

Só me resta orar: "Deus, faz-nos saber o que é isto".

Antonio C. Carlos
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(1) Rev. Antônio Carlos Costa é ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), pastor da Igreja Presbiteriana da Barra Tijuca, Presidente da ONG Rio de Paz, prolifico escritor e pregador sacro. Bacharel e Mestre em Teologia, está fazendo doutorado em teologia utilizando as temáticas trabalhadas pelo Rev.Jonathan Edwards, logo um especialista;

(2) Rev.Jonathan Edwards foi um ministro congregacional na América colonial, nas cercanias de Northampton, foi um filosofo  e teologo prolifico, chegando a ocupar o posto de reitor do Colégio de New York, posteriormente Universidade de Princeton. É conhecido no Brasil pelo seu célebre sermão " Pecadores na Mão de um Deus Irado".